Thaís Montenegro entrou no time com um bebê de um ano no colo e a expertise de quem sabe o que faz

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Thaís Montenegro se apresenta com a firmeza de quem está acostumada a falar em público. É professora de português, coordenadora de curso, pesquisadora de latim com estudos sobre Santo Agostinho e mãe de dois meninos, um de 19 anos, que está entrando na faculdade, e outro de 6, que está aprendendo a ler. 

Hoje, ela coordena professores, cuida de turmas presenciais e mantém projetos próprios, quase tudo a partir de casa, no Rio de Janeiro. Boa parte do que usa nessa rotina, segundo ela, aprendeu durante os dois anos em que foi Scooteira.

A volta ao trabalho com um bebê no colo

A Scooto entrou na vida de Thaís em setembro de 2021, num momento delicado. A licença-maternidade tinha acabado de terminar e, logo em seguida, ela foi desligada da loja onde trabalhava, um espaço voltado para a maternidade de que ela gostava muito. “Entrei na estatística, né, gente?”, diz.

Com o filho de pouco mais de um ano em casa, ela começou a procurar um trabalho online. Encontrou a Scooto num grupo de mães no Facebook, quando a seleção ainda era feita por formulário e a comunidade reunia cerca de 200 mulheres. “A gente fez meio que uma confraria na época. Literalmente tudo era mato.”

Para dimensionar o tempo que passou desde então, ela usa o próprio filho como medida. “Se eu for ver meu filho agora, ele tem 6 anos e está se alfabetizando. Ele era um bebê.”

“O medo é de não ter o sustento para trazer para os seus filhos. O resto a gente aprende.”

Da academia para o mundo das operações

A primeira operação foi das mais difíceis da época. “Nada dava certo, era uma loucura. Mas no final deu muito certo”, lembra. Ao longo de cerca de dois anos, Thaís passou por todas as etapas, de scooteira a blaster, até chegar à gerência de operação.

A mudança de ambiente foi grande. Embora já tivesse trabalhado com vendas no varejo, ela se considera uma acadêmica, com formação em universidade federal, pesquisa, relatórios e a rotina de quem escreve e estuda por muitos anos. “O mundo corporativo era outra dimensão da vida.”

O cuidado com os detalhes, comum a quem vem da pesquisa, foi o que ela levou para a Scooto. E foi ali que essa característica ganhou forma prática. “Eu trouxe isso para a Scooto e lá foi lapidado. Hoje, quando estou trabalhando como coordenadora, gerenciando professores, conversando, dando treinamento, eu aplico o que aprendi com vocês.”

Uma acadêmica fechada que aprendeu a conversar

Quando perguntamos qual foi a maior contribuição da Scooto para o momento atual, Thaís responde com uma palavra: desenrolada.

“Eu era uma pessoa extremamente fechada. Essa habilidade, como as crianças falam, surgiu depois da Scooto”, conta. A virada veio com a função de SDR, que exige conversar com o cliente, entender o que ele precisa e deixá-lo pronto para a reunião de fechamento com outra pessoa do time.

“Para eu estar aqui hoje, dando aula ou conversando com vocês, esse processo foi feito na Scooto. Eu tive que aprender essa lição.”

Para Thaís, o trabalho de SDR exige um repertório amplo, que vai do mercado da operação a assuntos como política e geopolítica. É a mesma lição que ela repete para os alunos do pré-vestibular, a quem recomenda ler de tudo, inclusive a Bíblia, que mantém ao lado da mesa como fonte de referências literárias. “O que me fez ganhar dinheiro durante dois anos e pouco na Scooto, e depois na minha vida aqui fora, foi isso. Repertório e histórias.”

“Tudo é aprendido”

Antes da Scooto, o trabalho remoto era algo que Thaís nem considerava. Tinha passado anos em loja física e em sala de aula. “Era algo inimaginável, intangível. A gente olhava e pensava: gente, o que é isso? Se come?”

Hoje, a gestão que faz é online, com reuniões por vídeo e encontros presenciais pontuais com a equipe, que mora perto. As aulas ela prefere manter presenciais, porque gosta do contato olho no olho com os alunos.

A entrada no novo nunca a assustou. Quando precisou, sentou e aprendeu a fazer planilha, a usar Excel e PowerPoint. Na escola, onde dá aulas de acompanhamento global, teve que estudar as matérias das crianças para ajudar em todas, mesmo sendo professora de português. “Nada é dom. Tudo é aprendido, gente. Minha pergunta é sempre: qual o prazo que eu tenho para aprender isso?”

Uma rotina cronometrada

Ao falar com mulheres que sonham com o trabalho remoto, Thaís faz questão de desmontar a imagem de vida tranquila com os pés para o alto. “É uma vida de gerenciamento de tempo o tempo todo. Minha vida é cronometrada no relógio. Eu não estou brincando com vocês.”

O dia começa às 8 horas, com o envio de relatórios para os pais dos alunos. Às 9, ela vai para a aula, perto de casa, e às 10h30 já está de volta ao computador, ligando para famílias e acompanhando a equipe. À tarde, cobre a parte operacional quando é preciso. O trabalho vai de segunda a sábado e, às vezes, inclui uma olhada no sistema no domingo.

Tudo isso divide espaço com o marido, os filhos, as leituras e traduções da vida acadêmica e os projetos pessoais. “Isso tudo é o quê? Gerenciamento de tempo. Agenda serve para isso. Se você não gerenciar seu tempo, não vai rolar.”

“Numa operação da Scooto, tem que trazer resultado. Tem que dar seu sangue nessas quatro horas.”

Empreendedora desde sempre

Thaís diz que só teve duas carteiras assinadas na vida. O empreendedorismo sempre esteve presente, e foi com ele que criou o filho mais velho, que teve aos 21 anos. “Eu criei meu filho, que vai fazer 19 anos, na base do Mercado Livre.”

A diferença, segundo ela, é que antes empreender era uma questão de sobrevivência, e a Scooto trouxe método. “A Scooto me deu as ferramentas para eu entender como as coisas funcionam.” Hoje, aos 40 anos, ela toca uma loja própria e projetos ligados à sua espiritualidade, ao lado da coordenação e das aulas.

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