Mariza Moura não se contenta com o raso. Com bagagem que vai de RH a trade marketing, financeiro e sala de aula, ela é o exemplo de que repertório multitarefa gera execução inteligente. Enquanto cuidava dos filhos, Mariza hackeou o próprio tempo para estudar de IA a novas formas de trabalho, o tipo de inquietude que a gente valoriza por aqui. A investigação é genética: no meio do nosso papo, o filho mais velho apareceu na câmera para auditar o trabalho da mãe. É o home office real, sem filtro.
Scooteira há cinco meses na frente de SDR, Mariza iniciou na operação com um bebê de dois meses. Hoje, o caçula tem sete e ela segue entregando estratégia e dados na ponta, sob a gestão da Danielle Lisboa.
Maternidade e eficiência
Antes da Scooto, a Mariza estava naquele momento de recalcular a rota profissional em um cenário que mudou rápido demais. A maternidade chegou em dose dupla e em sequência, e aquela rotina de escritório padrão simplesmente parou de fazer sentido, e de caber na agenda. Ela precisava de um trabalho que respeitasse sua competência sem ignorar sua realidade.
“Eu era uma mãe e uma profissional adormecida, uma recém-mãe tentando se encontrar em todo esse cenário. Quando a maternidade aconteceu, não dava para manter a mesma velocidade e a mesma intensidade, e eu me encontrei perdida”, lembra.
Parecia que não combinava ser mãe e ser profissional, parecia que não dava para fazer os dois. E eu achava isso muito injusto.
Ela faz questão de dizer que não defende a ideia da mãe que dá conta de tudo sozinha. “Eu sou muito contra essa coisa da mãe heroína que faz tudo. Em algum âmbito, essa mulher vai se perder.” O que Mariza procurava era um caminho possível. Foi quando a nossa estrutura remota e flexível encontrou a eficiência que ela sempre teve, mas que o mercado tradicional não sabia como acolher.
Do RH à sala de aula
A trajetória profissional ajuda a entender o tamanho dessa vontade de voltar. Mariza é formada em Gestão de Recursos Humanos, num curso tecnológico que escolheu pela promessa de colocar a mão na massa mais cedo, e depois fez magistério.
Logo no primeiro emprego, ficou apenas um mês no RH antes de ser puxada para o trade marketing de uma indústria com atuação nacional. A partir de São Paulo, treinava equipes grandes espalhadas pelo país e trabalhava com vendas e influenciadores. “Ali foi uma outra faculdade. Parece que as portas se abriram e o mundo desconhecido veio ao meu encontro”, conta.
Depois vieram passagens pelo financeiro, com contas a pagar e a receber e supervisão de equipe, e a criação do zero de um setor de marketing numa empresa que não tinha um. Mais tarde, foi para o varejo, onde cuidava de fornecedores, compras, relação com a contabilidade e treinamento de vendedores. Durante a pandemia, ainda deu aulas por cerca de um ano e meio.
Nos últimos anos antes de ser mãe, a jornada ia das 10 da manhã às 10 da noite, na loja, fora o deslocamento. Com o primeiro filho nos braços, ela fez a conta e viu que, naquele formato, quase não sobraria tempo para ele. “São três horas de trânsito no mínimo, ida e volta, mais oito horas de trabalho. Quando que eu tenho tempo com a minha criança?”
A descoberta, ainda na gravidez
Os meses em casa com o primeiro filho também foram de estudo e de busca. Um dos assuntos que Mariza acompanhava de perto era inteligência artificial, tentando entender quais ferramentas faziam o quê e como aplicá-las no trabalho e na rotina. Foi num desses vídeos no YouTube que ela conheceu a Scooto, já grávida do segundo.
Ela fez o simulador, passou pelas entrevistas e, algum tempo depois do nascimento do caçula, entrou na primeira operação.
O tempo que voltou para a família
Quando perguntada sobre o que mudou, Mariza corrige a expressão popular antes de responder. “Não digo 360, porque com 360 a gente volta para o mesmo lugar. Mas foi um 180, sim.”
O centro dessa mudança está no tempo. Mariza fala do fim das horas gastas no trânsito, que antes ela tentava aproveitar com audiobooks e leituras, e da sensação que carregava ao voltar para casa. “Parece que eu trazia para casa o que sobrava. Esse era o ponto.”
Se eu separo 6 horas para trabalhar, são 6 horas bem trabalhadas. E acabou meu período de trabalho, logo em seguida começa meu tempo com os meus filhos.
Hoje, quando fecha o computador, ela está a poucos passos das crianças, com energia para elas. “Depois eu vou ter o meu tempo de qualidade com os meus filhos, sem ter nada minando esse tempo.”
No trabalho, o que mais a motiva é ver o efeito concreto do que faz. “A cada feedback que eu recebo, vem: esse ponto precisa ser melhorado. Aí na semana seguinte, o ponto que a gente melhorou surtiu efeito e a operação teve uma melhora de tantos por cento. É esse impacto que a gente de fato causa.” Sobre a remuneração, considera o modelo da Scooto “muito justo, muito coerente”.
Da desconfiança ao 100% remoto
Antes de conhecer a Scooto, Mariza não acreditava que um trabalho como o que faz hoje pudesse acontecer em home office. Achava que era preciso ter a liderança fisicamente por perto para cobrar e acompanhar. “Isso caiu por terra 100%. Não só vendo na prática que funciona, mas mudando conceitos na minha cabeça.”
Hoje, além da Scooto, ela presta serviços para outra empresa, sempre de casa. “Esse é um ponto que eu não abro mais mão”, diz. Há duas semanas, teve uma ideia para um projeto pessoal que, em outra fase da vida, teria ficado só no papel e que agora já está saindo do lugar.
“Hoje eu me encontro muito mais empreendedora, muito mais pensando em soluções do que em problemas”, afirma. Ela sabe que os meninos vão crescer, ganhar independência, e que o jeito de trabalhar pode acompanhar essa mudança daqui a alguns anos. Por enquanto, estar em casa faz diferença para todos. “Tá sendo primordial tanto para a vida das minhas crianças quanto para a minha vida, enquanto mãe, enquanto mulher, enquanto profissional. Nesse momento, eu estou encontrada.”
O conselho para quem quer começar
Questionada sobre o que diria a outras mulheres que sonham com o trabalho remoto, Mariza não romantiza. Para ela, trabalhar de casa é libertador, desde que venha acompanhado de disciplina, e disciplina começa pela organização.
“A disciplina é, por vezes, olhar a desordem e dizer para ela: agora não.”
Isso vale para a casa e até para as visitas. Quando algum parente avisa que vai passar por lá no horário de trabalho, a resposta já está pronta.
Eu estou em home office. Estou em casa, mas não estou disponível no momento.
Os filhos também participam dessa organização, do jeito deles. Enquanto Mariza trabalha, os dois brincam com a babá, e quando o mais velho vem chamar a mãe, ela explica com calma qual é a brincadeira daquele momento. Para ela, esse combinado faz parte da educação dos meninos. “Isso é importante também para eles saberem que tem hora para tudo. É parte da formação.”
A mensagem final é de convite. Mariza já indicou a Scooto para a irmã e para uma amiga que tem filho pequeno e hoje trabalha em regime de plantão, às vezes dormindo fora de casa. “Ela falou: amiga, é o que eu preciso.” Para quem está pensando em dar o passo, o recado é direto: “Quem estiver pronta, dedicada e tiver força de vontade, é só cair dentro. Vamos lá”.